OS 500.000 MIL CRUZEIROS DE UM POETA – Mário de Andrade, poeta, folclorista e brasileiro



A numismática e a notafilia nos reservam muitas histórias e nos revelam um Brasil que vái muito além do que conhecemos ao longo de nossas carreiras no ensino fundamental, médio e superior. O diploma de autoriza, mas somente as experiencias podem nos capacitar e nos revelar as verdades deste Brasil tão rico e imenso.

Quase ninguém repara no dinheiro que passa por suas mãos ou que algum dia você teve a oportunidade de um contato direto. A cédula ou nota de 500.00 mil Cruzeiros é uma peça da 3ª utilização da nomenclatura “Cruzeiro” e circulou em nosso país no período entre 1990 a 1993 ostentando em sua estampa a figura de Mário de Andrade ilustre brasileiro nascido em São Paulo, cidade onde morou durante quase toda a vida no número 320 da Rua Aurora, onde seus pais, Carlos Augusto de Andrade e Maria Luísa de Almeida Leite Moraes de Andrade também haviam morado.

Durante sua infância foi considerado um pianista prodígio, tendo sido matriculado no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1911. Recebeu educação formal apenas em música, mas foi autodidata em história, arte, e especialmente poesia. Dominava a língua francesa, era leitor de Rimbaud e dos principais poetas simbolistas franceses durante a infância. Embora escrevesse poesia durante todo o período em que esteve no Conservatório, Andrade não pensava em fazê-lo profissionalmente até que a carreira de pianista profissional deixou de ser uma opção viável.

Em 1913, seu irmão Renato, então com quatorze anos de idade, morreu de um golpe recebido enquanto jogava futebol, o fato causou um profundo choque em Andrade, que apegado ao irmão caiu em tristeza abandonando o conservatório e se retirando com a família para uma fazenda que possuíam em Araraquara. Depois de algum tempo decidiu retornar, então descobriu que sua habilidade em tocar piano havia sido afetada por um tremor nas mãos. Embora ele houvesse se formado no Conservatório, ele não se apresentou mais e começou a estudar canto e teoria musical com a intenção de se tornar um professor de música. Ao mesmo tempo, começou a ter um interesse mais sério pela literatura formando-se na área em 1917. Logo publicaria seu primeiro livro de poemas, “Há uma Gota de Sangue em Cada Poema”, o livro foi publicado sob o pseudônimo de Mário Sobral. O livro contém indícios de uma primeira percepção de Mário de Andrade em relação a uma identidade particularmente brasileira, mas, assim como a maior parte da poesia brasileira produzida na época, seu contexto era fortemente ligado à literatura europeia, especialmente a literatura francesa.


Seu primeiro livro parece não ter tido um impacto significativo, e Andrade decidiu ampliar o âmbito de sua escrita. Deixou São Paulo e viajou para o campo. Iniciou uma atividade que continuaria pelo resto da vida: o meticuloso trabalho de documentação sobre a história, o povo, a cultura e especialmente a música do interior do Brasil, tanto em São Paulo quanto no Nordeste. Andrade também publicou ensaios em jornais de São Paulo, algumas vezes ilustrados por suas próprias fotografias, e foi, acima de tudo, acumulando informações sobre a vida e o folclore brasileiro. Entre as viagens, Andrade lecionava piano no Conservatório, havendo sido também, aluno de estética do poeta Venceslau de Queirós, sucedendo-lhe como professor no Conservatório após sua morte em 1921.

Mário de Andrade não ficou somente na música instrumental e nos livros de poemas. Mario de Andrade uniu suas duas paixões e compôs uma única canção, intitulada "Viola Quebrada". Uma composição em parceria com Ary Kerner.


VIOLA QUEBRADA
Mário de Andrade e Ary Kerner

Quando da brisa no açoite
A flôr da noite se acurvou
Fui encontrar com a maróca meu amor
Eu sentir n'alma um golpe duro
Quando ao muro já no escuro
Meu olhar andou buscando a cara dela e não achou

Minha viola gemeu, meu coração estremeceu
Minha viola quebrou, meu coração me deixou

Minha maróca resolveu prá gosto seu me abandonar
Porque o fadista nunca sabe trabalhar
Isto é besteira pois da flôr
Que brilha e cheira a noite inteira
Vem depois a fruta que dá gosto de saborear

Minha viola gemeu, meu coração estremeceu
Minha viola quebrou, meu coração me deixou

Por causa dela sou um rapaz
Muito capaz de trabalhar
E todos os dias e todas as noites capinar
Eu sei carpir porque minh'alma está
Arada, loteada, capinada
Com as foiçadas desta luz do seu olhar.

Escute a música na voz de uma das maiores interpretes do Brasil!
https://www.youtube.com/watch?v=VGSzm2dsIVg


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