ERRO DE GRAFISMO NOS CRUZEIROS – A variante das cédulas do padrão Cruzeiro Novo



Para entender as variantes, primeiro quero apresentar o padrão Cruzeiro Novo. Um padrão monetário transitório que permaneceu ativo entre o final de 1966 até meados 1972. Esta nova moeda foi criada para substituir o antigo Cruzeiro em virtude da perda expressiva de valor e que vigorava no Brasil desde 1942. A antiga moeda sofreu enorme depreciação por conta do aumento da inflação e da instabilidade política, além do descontrole das contas públicas, algo que curiosamente temos observado no Brasil da atualidade, mas isso é outro assunto! Voltando ao nosso tema, diante de tantas crises a equipe econômica da época preparou uma reforma monetária, na qual a nova moeda recebeu o nome de Cruzeiro Novo, para evitar que houvesse confusão de valores entre as cédulas que seriam preparadas para o novo padrão com as do padrão então existente. Mas na realidade nunca existiu uma cédula exclusiva para o Cruzeiro Novo, fazendo com que o padrão ficasse sem uma identidade visual própria. Cédulas do antigo cruzeiro foram aproveitadas para este novo padrão, sendo carimbadas com valores entre 1 centavo e 10 Cruzeiros novos.

OBS: Os erros são originários do padrão Cruzeiro em sua 2ª estampa, mas apresentamos como cruzeiro novo pela grande quantidade percebida no padrão carimbado.

A história da variante nas cédulas de Cruzeiro Novo.

A empresa inglesa Thomas de La Rue, produziu cédulas para Brasil de 1949 a 1964 e algumas estampas produzidas pela empresa circularam até 1975. A empresa forneceu, também, as primeiras 500 séries da estampa A da cédula de Cr$ 100.00 (cem cruzeiros) lançadas em circulação em 1970 pelo Banco Central e depois produzidas pela Casa da Moeda do Brasil.

O que chamou bastante atenção em minhas pesquisas, se deu por conta de um erro cometido pela empresa na impressão de algumas séries em lotes que circulariam inicialmente no extinto padrão Cruzeiro. As cédulas tinham valor facial de 10, 50 e 100 Cruzeiros e sua emissão trazia a inscrição “MINSTRO” ao invés de “MINISTRO” como as cédulas seriam carimbadas e reaproveitadas pelo padrão transitório Cruzeiro Novo, a empresa, e o Banco Central do Brasil, entraram em acordo e mantiveram os lotes com as séries dentro do cronograma de distribuição para o meio circulante. Vale lembrar que esta variante só é encontrada em cédulas carimbadas com o Padrão Cruzeiro Novo e não chegaram a circular com este erro no padrão Cruzeiro.


10 cruzeiros (Carimbadas para um centavo)
Fabricante: Thomas de La Rue & Company Limited
Valor: NCr$ 0,01
Anverso: Getúlio Dornelles Vargas (1883-1954).
Reverso: Unidade Nacional, alegoria de autoria da American Bank Note Company.
Período de Circulação: 13-02-67 a 30-06-72
Chancelas: Ministro da Fazenda - Octávio G. de Bulhões / Presidente do Banco Central - Dênio Chagas Nogueira
Estampa: 2ª
Série Normal: 3056 a 4055
Série com a variante “MINSTRO”: 3056 a 3151


50 cruzeiros (Carimbadas para cinco centavos)
Fabricante: Thomas de La Rue & Company Limited
Valor: NCr$ 0,05
Anverso: Princesa Isabel (1846-1921).
Reverso: Painel com o quadro "Lei Áurea", de autoria de Cadmo Fausto de Souza.
Período de Circulação: 13-02-67 a 30-06-72
Chancelas: Ministro da Fazenda - Octávio G. de Bulhões / Presidente do Banco Central – Dênio Chagas Nogueira
Estampa: 2ª
Série Normal: 0786 a 1885
Série com a variante “MINSTRO”: 786 a 1313


100 cruzeiros (Carimbadas para dez centavos)
Fabricante: Thomas de La Rue & Company Limited
Valor: NCr$ 0,10
Anverso: D. Pedro II (1825-1891).
Reverso: Painel com o quadro "Cultura Nacional", de autoria de Cadmo Fausto de Souza.
Período de Circulação: 13-02-67 a 30-06-72
Chancelas: Ministro da Fazenda - Octávio Gouvêa de Bulhões / Presidente do Banco Central - Dênio Chagas Nogueira
Estampa: 2ª
Série Normal: 0416 a 1515
Série com a variante “MINSTRO”: 416 a 911

O lançamento do Cruzeiro Novo

Para prevenir uma possível confusão no meio circulante, foram distribuídas aos comerciantes e cidadãos, uma cartilha informativa com todas as alterações sofrida pela troca do padrão Cruzeiro pelo Cruzeiro Novo. A cartilha em questão é escassa e explica toda a sistemática do novo padrão.





A valorização destas cédulas variantes

Apesar do curioso erro de grafismo, cédulas com esta variação não são valorizadas em catálogos do ramo. Alguns trazem a mesma referência de valores para a peça dita normal e com erro de grafismo. Em sites como Mercado Live e e-Bay, estas cédulas possuem variações de preços que não condizem com a realidade do mercado colecionista. Para quem coleciona cédulas, a melhor saída é procurar pessoas e empresas do ramo. A garantia de um bom produto e com valores justos podem tornar sua busca mais agradável com valores abaixo dos praticados em catálogos e em grandes sites de venda livre.

Não sou de fazer indicações de lojas e vendedores, mas os grandes devem ser lembrados. Um site que compro bastante e sou cliente é o www.collecione.com, lá tenho a garantia de que todas as minhas peças são legítimas e possuem de fato a qualidade e estado de conservação anunciadas.  Também indico é A Casa do Colecionador, este é seguramente um dos melhores do Brasil no ramo e seu site é o www.acasadocolecionador.com.br.

Temos por último um dos mais atenciosos vendedores do mercado, a Numismática Ness. O site é o www.numismaticaness.com.br, existem ao menos mais 5 sites de confiança no mercado numismático.

Um Catálogo que indicamos

Gosto de indicar aos amigos o catálogo “CEDULAS DO BRASIL” dos autores Claudio Patrick Amato, Irlei Soares das Neves e Julio Ernesto Shutz. Um catálogo objetivo e com custo de aquisição justo.

Estas cédulas foram sendo gradualmente substituídas pelas novas cédulas que foram colocadas em circulação em 1970, com a retomada da denominação Cruzeiro e foram retiradas de circulação entre 1972 e 1975, quando apenas as cédulas do novo padrão passaram a ter valor legal.

Moedas

Para o padrão, foram emitidas moedas de aço inoxidável com os valores de 1, 2 e 5 centavos, bem como moedas de cuproníquel nos valores de 10 e 20 centavos e de níquel no valor de 50 centavos, sendo que essas moedas continuaram em circulação depois que o novo padrão entrou em vigor.

Artigo Bruno Diniz / Imagens: Acervo Bruno Diniz



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