A GÊNESE DA CÉDULA DE 1 REAL – O aproveitamento de desenhos e conceitos na confecção das cédulas de 1 Real


Como numismata e notafilista estou sempre pesquisando, lendo, estudando e analisando alguma peça. Nosso artigo de hoje é justamente sobre mais um desses estudos que pode até não ser uma novidade para os mais experientes, mas certamente será esclarecedor para muitos leitores. Trataremos sobre a gênese artística e conceitual da cédula de 1 Real. Você irá descobrir como a cédula foi concebida para que fosse a propaganda de lançamento do Padrão Real que perdura até hoje. A cédula já está aposentada, mas sua história é bem curiosa.

100 MIL CRUZEIROS - A cédula de 100 mil cruzeiros (Cr$100.000,00) foi uma das doadoras de gravuras que culminou no nascimento da cédula de 1 Real que circularia a partir de 1994. A cédula emprestou seu icônico anverso, onde observamos em sua forma original a cena de um beija-flor (Amazilia láctea), alimentando os filhotes no ninho. O desenho foi desenvolvido pelo desenhista e artista Álvaro Alves Martins, onde a arte dava vida ao tema “Proteção do Meio Ambiente”. Temática baseada em motivos ecológicos, a propósito da Conferencia das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Realizada no Rio de Janeiro, em 1992. O evento ficou conhecido como ECO92. A cédula de 100 mil cruzeiros circulou oficialmente de 24-71992 a 15-9-1994.


O projeto ainda carecia de um reverso que pudesse de alguma forma exaltar o país, pois por problemas legais referente ao uso de imagens de personalidades de relevância para a nação, o Banco Central, ficaria sem opções para a confecção do reverso das cédulas de um real. Assim, foi necessário recorrer novamente ao passado, trazendo para o reverso, não somente o desenho, mas o conceito do anverso de outra cédula icônica do meio circulante nacional.

200 CRUZADOS NOVOS - O fato interessante neste caso, fica por conta, da utilização dos desenhos e do conceito do anverso da cédula de 200 cruzados novos (NCz$200,00) que homenageava o centenário da República, proclamada em 15-11-1889, onde seria utilizada para a confecção da cédula de um real, o desenho da Efígie simbólica da República, interpretada sob a forma de escultura. O desenho é creditado ao artista Álvaro Alves Martins. A cédula de 200 cruzados novos circulou oficialmente de 08-11-1989 a 15-9-1994.


ANVERSO + ANVERSO = ANVERSO E REVERSO - Após a união de dois anversos de cédulas de padrões e épocas diferentes, nascia a cédula de 1 Real. Trazendo em seu anverso a Efígie simbólica da República, interpretada sob a forma de escultura. O desenho de Álvaro Alves Martins, foi utilizado anteriormente na cédula de 200 cruzados novos lançada em 1989. À direita, as Armas nacionais sugerem o elemento empregado para o registro coincidente entre anverso e reverso.

1 REAL - O reverso da cédula de 1 Real, é representado por um beija-flor alimentando filhotes no ninho, em peculiar representação estética da fauna e da preservação ambiental, com desenhos de Álvaro Alves Martins. O beija-flor é típico do continente americano e no Brasil são conhecidas mais de cem espécies.

O BEIJA-FLOR - Note que a figura do beija-flor é colocada na posição vertical nas cédulas de 1 Real, enquanto nas cédulas de 100 Mil cruzeiros, a figura aparece na posição horizontal.


OUTRAS SEMELHANÇAS CONCEITUAIS - Também podemos observar no conceito a posição das chancelas, armas nacionais, alegorias em segundo plano, numeração de série, Efígie da República, Órgão Regulador e valor facial, representados na cédula 1 Real Estampa “A”. as semelhanças no conceito possuem referência na cédula de 200 cruzados novos, onde foram novamente aplicados na cédula de 1 real Estampa “A”.

A cédula de 1 Real Estampa “A” entraria em circulação em 1-7-1994, nos fazendo crer que o motivo teria sido um misto de falta de tempo e opção, mas com um trabalho de extrema competência e destreza, uma vez que, até hoje existem pessoas que nem imaginam que as imagens da cédula de 1 Real Estampa “A”, foram anversos de cédulas diferentes e de outra época e padrão monetário.
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