ENSAIANDO O REAL – Da bromélia de Balsemão ao projeto canadense. Assim surgia a segunda família do Real.



A numismática nos reserva páginas importantes que ainda não foram de fato contadas por nossos contemporâneos. Uma dessas histórias nos oferece mais um ensaio monetário do padrão Real. A primeira família do padrão Real foi colocada em circulação em 1994, mas somente em 1998 o Banco Central, em parceria com a Casa da Moeda do Brasil, colocaria em circulação a segunda família do padrão monetário. Alguns profissionais de designe do Brasil chegaram a enviar seus projetos e ideias que iriam dar um novo ar as moedas do Real. Nomes importantes como o do mestre cunhador Balsemão e sua linda Bromélia de 1997, também fizeram parte dessa história. A escolha do melhor designe se deu por voto popular, mas antes disso, alguns ensaios, provas e reuniões foram feitas em busca do designe perfeito.

UM ENSAIO OU PROVA
Para os amigos que não entendem o processo, uma breve explicação sanará algumas dúvidas. Ao escolherem os projetos, são então, cunhadas algumas moedas, a primeira delas é o ensaio. Esta moeda servirá como base para ajustes ou novas ideias e deve ser cunhada para que todos em uma reunião deliberativa de aprovação possam fazer suas ponderações aos ajustes finais. Logo depois desta aprovação serão cunhadas as provas, moedas que depois de receber os últimos ajustes estarão prontas para serem cunhadas, mas ainda passivas de um ou outro ajuste. Na fase de prova, será percebida como a peça ficará depois de pronta.

Volta e meia, uma peça desse tipo aparece em nosso meio, deixando os estudiosos da numismática um pouco mais curiosos (pois nem todos residem no Rio de Janeiro). Tirando a peça do consagrado mestre Balsemão, esta peça que é na verdade um ensaio, possui características bem aproximadas daquelas que entraram de fato em circulação.


Segundo informações oficiais da Casa da Moeda do Brasil, trata-se de um projeto encomendado e concebido no Canadá. A moeda apresenta em seu reverso, alegorias muito parecidas com aquelas que observamos da moeda antiga de 1 Real circulada de 1994 a 1997, mas ao olharmos com mais atenção podemos perceber o anel dourado utilizado na moeda atual de 1 real atual e em circulação desde 1998. No anverso, a Efígie da República é a mesma das moedas de hoje, mas carrega uma peculiaridade que não vingaria nas moedas atuais, o efeito holográfico. Sim, podemos perceber uma espécie de holograma do lado esquerdo da efígie. Inclinando a moeda para um dos lados vê-se o mapa do Brasil e inclinando para o outro lado vê-se o mapa da América do Sul. Talvez possa ter sido a grande chance de vermos uma moeda tão diferente em circulação. Você pode até não achar a moeda bonita ou atraente, mas certamente concordará que foi um projeto audacioso.

Um exemplar deste ensaio monetário pode ser observado no acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, doado pela Casa da Moeda do Brasil em 13 de maio de 1998. No termo de doação a CMB afirma que a peça se trata de um ensaio monetário projetado oficialmente pela entidade e que o designe definitivo ainda poderia sofrer ajustes antes da aprovação final do Banco Central do Brasil. De fato, o projeto foi alterado e as novas moedas do Real entraram em circulação no dia 01 de julho de 1998.

Fonte: CMB, MHN, BC, Bruno Diniz

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