TIMMA, O GALO DE ESTANHO DE MÁLAGA – Uma moeda que virou brinquedo e simbolo de Portugal.



A numismática pode surpreender até mesmo os mais experientes estudiosos, colecionadores ou entusiastas. Em nossas postagens sobre moedas primitivas, nenhuma delas é tão emblemática e extravagante do que a emitida no século XVIII por um sultão de Málaga: chamava-se Timma, era de estanho e tinha o formato de um pequeno galo recoberto de contas coloridas ou pequenos pontos pintados também com grande variedade de cores. 

Seu valor dependia do número de anéis colocados na base. Essa original criação e tentativa de emplacar um novo tipo de moeda corrente, não vingou, seu fracasso acabou por lhe oferecer uma outra utilidade, se transformando em um mero brinquedo nas mãos das crianças. 

Por ter se transformado em brinquedo e sua finalidade ter sido totalmente alterada,Talvez por isso, o Timma seja uma das formas de dinheiro primitivo mais difíceis de ser encontrada atualmente. O Timma é uma peça muito valiosa e procurada por colecionadores de arte e numismatas que possuem acervos de moedas primitivas.

Reprodução de Timma 

MUITO SEMELHANTE AO GALO DE BARCELOS - O que é galo de Barcelos? É uma peça de artesanato, normalmente confeccionada em cerâmica (mas já existia em uma versão de metal chamada Timma e que era moeda corrente em Málaga) pintada geralmente nas cores tradicionais de Portugal (vermelho e verde, mas também com detalhes em preto e dourado). Hoje, porém, existem diversas versões do Galo de Barcelos e ele virou até peça de design, decoração e lembrança de Portugal. 

A LENDA DO GALO DE BARCELOS - A lenda do Galo de Barcelos narra a intervenção milagrosa de um galo morto na prova da inocência de um homem erradamente acusado. Está associada ao monumento seiscentista que faz parte do espólio do Museu Arqueológico, situado no Paço dos Condes de Barcelos.

Um dia, os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um crime, do qual ainda não se tinha descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo, apesar dos seus juramentos de inocência, que estava apenas de passagem em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento duma promessa.

Condenado à forca, o homem pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:

- "É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem!

O juiz empurrou o prato para o lado e ignorou o apelo, mas quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Compreendendo o seu erro, o juiz correu para a forca e descobriu que o galego se salvara graças a um nó mal feito. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz.

Alguns anos mais tarde, o galego teria voltado a Barcelos para esculpir o Monumento do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a Santiago Maior, monumento que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos.

O Galo de Barcelos, apesar da lenda totalmente folclórica, é o Timma de Málaga que antes de virar uma peça simbolo de Portugal, foi moeda, brinquedo e foi copiada para dar vida ao Galo de Barcelos. 

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