Veni vidi vici – vim, vi e venci – é uma de suas frases célebres. E, de fato, ele venceu em todas as frentes de batalha. Ao ser destituído do cargo de governador das Gálias, o Senado Romano esperava que Júlio César depusesse as armas e voltasse como homem comum para Roma.

Mas César sabia que, se isso acontecesse, seria levado ao tribunal. Por isso, decidiu invadir a província da Itália e, ao atravessar o Rubicão (riacho que delimitava a fronteira da parte central do território romano), teria pronunciado a também famosa frase Alea jacta est ("A sorte está lançada"). Após alguns anos de guerra civil, ele detinha o poder absoluto em Roma.

Caio Júlio César (100 a.C.-44 a.C.), um dos maiores chefes militares de toda a História, nasceu em família aristocrática e alavancou suas ambições políticas com brilhantes campanhas militares contra os povos que habitavam as Gálias (atuais França e Bélgica). Participou do primeiro triunvirato em 60 a.C., ao lado de Pompeu e Crasso. Com a morte de Crasso, passou a disputar o poder com Pompeu, que era apoiado pelo Senado.

César viveu no auge do período das conquistas romanas. De 200 a.C. até o 476 d.C., Roma atravessou quase sete séculos de contínua expansão territorial, formando um império ainda mais vasto do que o de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.). Após haver conquistado Roma e a península itálica, Júlio César invadiu o Egito, intervindo na disputa dinástica a favor de Cleópatra. Em 47 a.C., chegou à Ásia, onde obteve rápida vitória sobre o rei da província bizantina de Ponto.

De volta a Roma, tornou-se cônsul vitalício e, em fevereiro de 44 a.C., assumiu o título de "ditador perpétuo". Por medo ou bajulação, o Senado passou a cobri-lo de honrarias. Com excesso de poder acumulado em suas mãos, acabou criando inimizades, e desprezava toda e qualquer crítica ou advertência. A República não lhe interessava, por estar convencido de que, com instituições democráticas, era impossível governar um império mundial. Sob seu reinado, a República foi sistematicamente transformada num sistema ditatorial.

Júlio César governava sentado em trono de ouro. Os senadores eram obrigados a aprovar projetos de lei que não haviam lido. Ele aumentou em mais de 300 o número de membros do Senado, nomeando amigos para os novos postos. Em termos militares, tinha ainda grandes planos. Queria conquistar o reino dos Partos (região entre o mar de Aral e o mar Cáspio), para formar uma nova monarquia mundial.

Porém, poucos dias antes de iniciar a nova campanha militar, sucumbiu a um ataque dos conspiradores. No dia 15 de março de 44 a.C., foi assassinado com 23 facadas, nas escadarias do Senado, por um grupo de 60 senadores, liderados por Marcus Julius Brutus, seu filho adotivo, e Caio Cássio. Júlio César ainda se defendeu, cobrindo-se com uma toga, até ver Brutus, quando então teria dito sua última famosa frase: "Até tu, Brutus".

Trata-se do mais conhecido atentado político da Antiguidade, descrito por Caio Suetônio Tranquilo (70 d.C.-140 d.C.), na biografia De vita Caesarum (Da vida dos Césares). "César" foi o título dos imperadores romanos de Augusto (63 a.C.-14 d.C.) a Adriano (76 d.C.-138 d.C.).

Uma moeda comemorativa do assassinato de Júlio César em ouro cunhada apenas dois anos após a morte do líder romano, contém o busto de Marcus Brutus, um dos líderes do assassinato, bem como as adagas usadas para matar o antigo general e as palavras 'Eid Mar', que significam 'Idos de Março', uma referência a 15 de março, a data da morte de César, em 44 a.C.. A moeda é descrita na atualidade como uma “celebração nua e desavergonhada” do assassinato de Júlio César. Há cerca de 100 moedas semelhantes cunhadas em prata que resistiram ao tempo, mas apenas três moedas de ouro chegaram ao século XXI.

“Em um ato de fanfarronice incomparável, somos imediatamente apresentados às armas do crime usadas para matar César, a data exata da ação e o motivo”, disse Richard Beale, diretor administrativo da Roma Numismatics, a casa de leilões de Londres que vendeu o moeda, escreveu em um comunicado de imprensa, descrevendo a aureus como uma “celebração nua e desavergonhada” do assassinato.

A moeda objetivo deste artigo foi arrematada por um colecionador anônimo e marca um novo recorde para a moeda mais cara já vendida. A peça atingiu impressionantes 3,5 milhões de dólares (cerca de 3 milhões de euros e cerca de R$18.628.050,00 de reais em cotação atual). Segundo a casa de leilões, em Londres, e a Roma Numismatics que conduziu o leilão, a moeda foi cunhada em 42 a.C., dois anos depois do assassinato. O recorde anterior de uma moeda romana foi estabelecido em 2008, quando um sestércio de bronze do imperador Adriano foi vendido por cerca de US$ 2,5 milhões (R$ 14,3 milhões – cotação da época) e o recorde entre todas as moedas mundiais tinha sido atingido por um estáter da Grécia Antiga em ouro, vendido por 3,25 milhões de dólares (2,7 milhões de euros - cotação da época) em 2012.

Diz-se que a morte de César foi alimentada pela crença entre os políticos romanos de que ele pretendia tornar-se rei. 


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