TESOURO DESCOBERTO EM CIDADE BRASILEIRA - O tesouro de Colares


A prefeitura da cidade de Colares no Estado do Pará acionou a polícia para impedir a comercialização de Moedas e outros objetos que estavam enterrados e foram descobertos por dois homens no último final de semana.

O tesouro tem chamado a atenção do meio numismático por estar repleto de moedas de prata e cobre. A incrível descoberta se deu no último domingo, 17, na ilha de Colares, município do nordeste do Pará. 

A informação foi confirmada pela Prefeitura da cidade, que afirmou ainda que irá acionar a Polícia e o IPHAN para impedir a comercialização do tesouro que já está sendo feita na internet. 

ESCAVANDO A HISTÓRIA PARA COMPREENDER A DESCOBERTA

Uma nova atualização das informações chegou ao nosso site e de acordo com a Secretaria de Cultura de Colares, moradores acionaram a prefeitura após tomarem conhecimento de que um homem com uso de detector de metal se passou por professor de história para entrar no terreno de uma moradora. Ele estaria acompanhado de outras pessoas e teria levado do local dezenas de moedas antigas.


Analisando as imagens divulgadas pela prefeitura e compartilhadas nas redes sociais em que aparecem um carrinho de mão repleto de moedas e moedas de 80 
(LXXX) réis com letra monetária "R" (Casa da Moeda do Rio de Janeiro) com a data de 1819 estão entre as peças descobertas. Em uma observação rasa e embasada somente nesta imagem podemos sugerir que sejam peças falsificadas (uma vez que não identificamos a cunhagem com referência na data apresentada) que entrariam em circulação na época da "Cabanada" (rebelião ocorrida no Brasil entre 1832 e 1835, iniciada logo após a abdicação de Dom Pedro I, ou seja, no período da Regência), Podemos sugerir tal linha de pensamento por observarmos um carimbo "cabano" de 20 réis fundo liso e semelhante ao da foto abaixo:

Os estudos numismáticos e históricos nos revelam que todas as moedas cabanas possuem um carimbo unifacial de fundo liso sem orla de contorno como apresentado na imagem. O carimbo era marcado pelo Governo Revolucionário do Pará entre (1835 a 1840), nas moedas de cobre para redução de seu valor facial. Também é de conhecimento dos numismatas que na época da revolução a falsificação de moedas era algo muito comum.

As moedas de curso legal (originais) carimbadas pela revolução não tinham a autorização legal da regência para circular.

A DATA 1819 - Certamente a moeda não será encontrada em registros históricos e literatura cientifica com a data apresentada. Em um primeiro momento estamos diante de supostas peças falsificadas "de época", mas que possuem grande relevância histórica para o país.  

A prefeitura registrou um boletim de ocorrências na Polícia Civil e acionou o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para fazer um estudo sobre a área onde o tesouro foi achado.

VOLTANDO AOS CAÇADORES - Estes supostos historiadores e "caçadores do tesouro" ainda não foram identificados pela prefeitura. A suspeita é de que sejam de outra cidade. A dona do terreno é idosa e mora sozinha. Ela não é considerada cúmplice.

As últimas informações sugerem de forma preliminar que a área seria próxima do local onde existia um dos portos da extinta província do Grão-Pará, que até 1889 abrangia os territórios conhecido hoje como Estados do Amazonas, Amapá, Roraima e parte de Rondônia.

O terreno foi isolado para preservar o espaço para estudos, mas ainda não foram identificadas as pessoas que participaram da busca pelos tesouros. As pessoas envolvidas podem responder por falsidade ideológica por terem se apresentado como Historiadores.  

O Iphan ainda não fez qualquer pronunciamento oficial sobre o fato.



Abaixo um vídeo do momento em que as moedas são retiradas do solo.


E AGORA?

O Iphan poderá requerer o achado? O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ao tomar conhecimento convocará os descobridores para apresentar as moedas antigas. Por lei todo objeto da época do império pertence a União.

A prefeitura não poderá requerer os objetos por serem em um primeiro momento parte do patrimônio da União e por estar sob análise técnica do IPHAN. Somente o órgão federal possui competência legal e técnica para alegar se os achados fazem parte do patrimônio da união, que não é meu, nem seu e tão pouco da prefeitura, mas do povo brasileiro.


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