Quando olhamos para o mercado numismático americano nos deparamos com agências certificadoras, moedas raras e muitas vezes com colecionadores justos e muito bem informados quanto ao estado de conservação de suas peças e também da carga histórica das mesmas. No Brasil a coisa é totalmente diferente, pois não contamos com agências certificadoras apesar de termos moedas raras cunhadas no Brasil. Aqui na terra de Cabral também contamos com o "jeitinho brasileiro" e com o velho estilo do "se dar bem", onde os "espertos" acham que todo mundo é otário. Com o perdão do termo utilizado anteriormente, justifico o uso para adequar e bem categorizar aqueles que usam a numismática nacional para injustamente inflacionar o mercado. Os mesmos atores, via de regra, são desinformados e aventureiros trazidos pela bolha criada pelas moedas olímpicas. Mas onde estão os numismatas informados que deveriam referenciar o mercado? É uma pena informar que estão reclusos em seus universos particulares. Continuam estudando e dedicando horas em favor da numismática. Mas nem tudo está perdido! Ainda existem aqueles que tentam compartilhar com o público suas pesquisas e pontos de vista. Dentro da mesma questão problema temos os numismatas mais experientes, estes, são considerados clássicos comerciantes de nossa ciência, mas infelizmente uma pequena parcela deles se interessam pela ciência justa, bem desenvolvida e certificada. 

Colher frutos advindos de bolhas comerciais parece ser muito mais atraente do que fazer aquilo que é certo. As boas vendas também parecem ser a estratégia ideal para manutenção dos grilhões da numismática nacional. Estamos escravizados pela falta de conhecimento e cultura, pelo interesse puramente comercial e pela ação de oportunistas. Quem deveria zelar pela ciência tem oportunamente se aproveitado dela, enquanto os estudiosos (colecionadores não comerciantes) são demonizados, descredibilizados e deixados de lado por associações e pessoas que mais apreciam clãs ao invés de olhar para as boas ideias e ações também legítimas daqueles que de alguma forma não fazem parte de um suposto "grupo seleto".

A numismática irá morrer? Certamente não! Mas temos uma tendência muito preocupante que nos leva ao estado de reclusão. O conhecimento em breve ficará retido nas mentes e anotações destes reclusos, as gerações passadas irão aos poucos sucumbir ao "salário do pecado" esvaziando associações e redes sociais. Os gigantes de hoje não querem e não buscam oxigenar a ciência, buscam sugar o máximo dos fluídos para manter egos e posições. Seremos os donos da verdade? Longe disso! Mas fica o alerta de quem não estará aqui por muito tempo para ver a numismática desaparecer. Talvez seremos mais um que irá desistir das publicações e iniciar o processo de reclusão e retenção de conhecimento, pois só se fala em comércio e raridades do real! Ninguém quer saber de ciência.