O FIM DO DINHEIRO COMO CONHECEMOS – A ciência numismática sustentará a memória monetária mundial.

 

As mudanças tecnológicas chegaram de vez ao meio circulante e podem alterar definitivamente o modo como utilizamos o dinheiro. Em outros setores da vida humana as ações cotidianas foram afetadas pelo avanço e desenvolvimento de novas tecnologias. Como exemplo podemos citar uma fala de Bill Gates ainda nos anos 80, período onde ele afirmou que em cada casa, em cada estação de trabalho, haveria um computador pessoal. Talvez, para muitos essa visão de futuro fosse algo inexequível. Hoje, em cada residência, há não só os computadores citados por Gates, mas dezenas de dispositivos que cumprem as mesmas funções além de muitas outras, como os tablets e os smartphones. Com o dinheiro não será diferente, uma vez que, um novo estudo, publicado pelo conglomerado japonês Mitsui & Co, afirmou que o dinheiro de papel e as Casas da Moeda serão consideradas obsoletas e desnecessárias em algumas décadas. Ao olharmos a conjuntura atual, percebemos que o principal indício para sustentar a previsão é o fato de a China liderar a adoção de criptomoedas soberanas.

Estas moedas nacionais eletrônicas funcionam como o Bitcoin, Ethereum e tantas outras já utilizadas no mercado financeiro, mas a modalidade possui uma importante diferença, são lastreadas de alguma forma pelo governo e possuem uma entidade regulatória, no caso, o país de origem. No mundo, já existem a E-krona, usada na Suécia, e o Bakong, utilizado no Camboja. Nenhuma delas, porém, tem a projeção do e-RMB, nome dado à moeda eletrônica na China, país que detém a segunda maior economia do mundo.

A China testa, desde 2017, formas de criar uma plataforma para transacionar valores de forma eletrônica. Em 2019, os testes saíram do papel, de forma controlada. Em grandes cidades, como Shenzhen e Chengdu, por exemplo, é possível abrir uma conta digital em bancos públicos para receber, pagar ou fazer aplicações em e-RMB. O e-RMB, por ser um meio de pagamento oficial, não pode ser recusado por estabelecimentos de varejo. O dinheiro digital, que nunca foi impresso, circula livremente nestas regiões, em formato de teste, e apresenta diversas vantagens para a sociedade.

Uma delas é a economia gerada pelos bancos centrais, que deixam de gastar com a impressão e distribuição de dinheiro físico. Outra vantagem é permitir maior inclusão financeira. Criar uma carteira digital é muito mais simples do que ir a um banco, assinar contratos, obter um cartão e seguir um passo já conhecido para aqueles que são correntistas. Com o avanço tecnológico do dinheiro, tudo poderá ser realizado em um único app. O aspecto mais importante, porém, é o aumento da eficiência e segurança financeira trazido pelas moedas digitais nacionais.

As transferências são rastreáveis, uma vez que no código da moeda fica um registro encriptado de todas as transações, tal como um rastro de lugares por onde ela passou, e a compensação é imediata. Para quem faz transações à distância, como a compra e venda de produtos, as partes sabem, em tempo real, quando o vendedor recebeu o pagamento, por exemplo. Um artigo publicado pelo diretor do Banco do Povo (equivalente ao Banco Central) da China, Fan Yifei, explica que a plataforma de tecnologia criada pelo país poderá ser oferecida a países terceiros.

O impacto de uma grande economia usando criptomoedas soberana, como a China, e sua disposição em compartilhar suas plataformas, deve gerar uma corrida cripto, incentivando outras economias a fazê-lo. Para não ficar defasados do ponto de vista tecnológico, autoridades monetárias como o Banco Central Europeu e o Federal Reserve americano, devem se sentir impelidos a acelerar seus projetos cripto, em um movimento sem retorno. A moeda de metal e o dinheiro de papel, consideradas tecnologias milenares e objeto de estudos da ciência numismática e notafilica, podem estar com os dias contados. Nossa responsabilidade como tutores da história será ainda mais elevada pois já podemos vislumbrar o fim do dinheiro convencional, restando aos colecionadores e estudiosos a apresentação e preservação museológica dessas peças que parecem já fazerem parte do passado.


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