O ENCONTRO DE DOIS MUNDOS - A realidade que muitos rechaçam.

A moeda que Comemorou o V Centenário do Descobrimento da América 1492-1992.


O grande encontro de dois mundos! Muitos historiadores rechaçam com veemência o termo que utilizo para iniciar esta postagem. “O encontro de dois mundos” uma frase emblemática que transcende a imagem ilustrativa da moeda exposta e mostra que a visão outrora defendida por grande parte dos historiadores está verdadeiramente errada. Quando digo encontro, acabo por mostrar que assim deveria ter sido a chegada de uma cultura frente à outra em qualquer lugar do mundo, pois não podemos chamar neste caso uma cultura civilizada aquela que possui certo desenvolvimento em claro comparativo com as demais menos desenvolvidas, assim, estaríamos confundindo civilização com desenvolvimento. Os índios brasileiros na época deste “encontro” com os europeus portugueses, dentro de sua cultura, eram civilizados ao seu modo de vida e prática do dia a dia. Nossos índios possuíam leis e todas as estruturas que uma civilização depende para prosperar. Mas o encontro comemorado nestas moedas de 1992, é o encontro de Colombo com os povos americanos - história chama pré-colombianos 
Na ideia do encontro há o reconhecimento da vitalidade da região atualmente chamada de América nuclear: México, Andes Centrais, parte da América Central e Caraíbas. Zonas que concentravam perto de 80% da população continental, desenvolvendo no México e no Peru, uma agricultura de rendimento elevadíssimo. Mas quando falamos em México ou Peru não devemos nos restringir, como de costume, aos povos mais conhecidos como astecas, maias e incas, que foram os últimos impérios a destas regiões.


No México, os primeiros sinais de agricultura datam de milênios antes de Cristo. Foi em Teotihuacan que se desenvolveu as técnicas de construção arquitetônica, o artesanato em ouro e prata de que os mexicanos seriam herdeiros. A agricultura atingiu elevado nível que séculos depois, os espanhóis encontrariam no mundo asteca. A confederação Asteca, não foi senão a ultima estrutura imperial do centro do México, baseada em uma complexa tributação, envolvendo comunidades camponesas e inúmeras cidades. Através dessa rede chegava aos Astecas a mais variada sorte de produtos, desde alimentos às plumas e pedrarias que adornavam vestes de guerreiros e sacerdotes mexicanos.
No Peru, não foram os incas os primeiros a desenvolver a agricultura ou a construir cidades. Um bom exemplo de desenvolvimento da região costeira peruana é o poderoso reino dos Chimus (séc. XIII), cujo modelo administrativo e de construção de grandes obras acabaria sendo adotado pelos incas, a partir do século XV. O Estado Inca unificou politica e administrativamente o conjunto da região andina central, apoiando-se na rede de confederações preexistentes. Inspirados no modelo dos chimus, a quem derrotaram no séc. XV, os incas construíram um império burocratizado e militarizado, que cobrava prestações de trabalho às aldeias, sem deixar de compensá-las nas épocas difíceis. Verticalizaram os sistemas de reciprocidade e redistribuição característicos da economia das aldeias. O império inca talvez tenha sido o mais poderoso dos Estados pré-colombianos.


Os Tupi-Guarani, desenvolveram atividades agrícolas, além de serem exímios caçadores e pescadores. A população, certamente era tecnologicamente menos desenvolvida e em menor número populacional do que as dos planaltos mexicanos e andinos que ultrapassava a marca de um milhão de pessoas. 
Ao tratar a história dos povos ameríndios, é preciso evitar a terrível armadilha de valorizar critérios de tipo tecnológico ou político. Realçar exclusivamente as culturas ameríndias que mais desenvolveram o controle da natureza, as que construíram cidades, hierarquias e Estados significa, recolocar o europocentrismo em cena, valorizando traços supostamente assimiláveis aos ocidentais. Considero melhor do que falar em descoberta da América, falar em encontro de culturas. Encontros, desencontros e confrontos... Assim ficou marcado este encontro de dois mundos tão distintos, mas ao mesmo tempo tão parecidos em sua organização de uma forma geral. Povos civilizados que o mundo mantém em um patamar desigual diante de outras culturas que a história brinda com o trono da importância dos estudos acadêmicos.