A MOEDA NA MESOPOTÂMIA – Poder, dinheiro e conquistas

Nesta placa de argila um trabalhador é pago com cevada por seus trabalhos.


Hoje nosso texto é um pouco mais extenso, pois iremos viajar pela Mesopotâmia, onde mercadorias eram usadas como dinheiro e a pratica do escambo era comum por volta do ano 3000 a.C. No sul da Mesopotâmia, na região conhecida como Suméria, também eram utilizadas como moeda anéis fabricados a partir de conchas. Tais anéis eram presos a um cordão e permitiam trocas de pequeno valor.

A Mesopotâmia (do grego, entre os rios) é considerada o berço da civilização e ficava entre os rios Tigre e Eufrates, no território do atual Iraque. Apesar de atualmente não ser uma região muito especial, exceto pelo petróleo, atos de terrorismo e os conflitos constantes, na antiguidade era um lugar muito privilegiado. Com cheias dos rios as terras eram fertilizadas pelo limo e húmus (material orgânico em decomposição). Os rios favoreciam a pesca e havia caça abundante e condições para criar animais nas margens dos rios. Era de fato uma civilização prospera e em constante avanço.

A economia – Eles se dedicavam principalmente ao comércio e agricultura. Algumas atividades complementares eram desenvolvidas como, por exemplo, artesanato, fabricação de tecidos, metalurgia e confecção de joias.

O comércio, era uma das principais atividades econômicas, era praticado através das caravanas (expedições de comércio em grandes grupos). Os comerciantes nômades percorriam extensas áreas para vender suas mercadorias ou comprar matérias-primas que não eram encontradas na Mesopotâmia. Os contatos comerciais eram feitos, principalmente, com sociedades do Oriente Médio e Índia. O controle comercial era feito através de registros em placas de argila, utilizando caracteres cuneiformes.

Você sabia? - Como não havia uma moeda oficial instituída, muitas coisas serviam como moeda, porém nas atividades comerciais foram estabelecidos o uso de barras de ouro e prata.

Marcada pelo sangue – A História da Mesopotâmia é marcada pela sucessão de guerras entre povos que disputavam as melhores terras para cultivo. Além disso, os exércitos usavam táticas de pilhagem e escravizavam outros povos. Entre esses povos destacam-se sumérios, acádios, amorritas (antigos babilônios), assírios e caldeus (novos babilônios). Dessa forma, vemos que a Mesopotâmia não era um só povo, mas sim um conjunto de povos que lutavam entre si pelo domínio das melhores terras.

Pioneiros e fundadores - Os Sumérios fundaram Ur, Uruk, Nippur, Lagash e Eridu. Todas essas cidades eram cidades-Estados e guerrearam por disputas comerciais e políticas. O centro político, religioso e econômico das cidades sumerianas eram os templos e o chefe absoluto desses templos chamava-se patesi (vigário de Deus). O patesi era ajudado pela elite aristocrática (funcionários públicos que ocupavam altos cargos) e os sacerdotes. Aos sumérios atribuem-se inovações como a roda e a escrita.

A contabilidade - O aparecimento da escrita, inicialmente, destinava-se a contabilidade dos templos, que acumulavam através das oferendas de escravos, rebanhos e terras. Os sacerdotes tinham que registrar operações como empréstimos, pagamentos e mercadorias acumuladas. A partir de aproximadamente 3000aC passou a utilizar a escrita também no registro literário, religioso e jurídico. Originalmente, essa escrita era feita em argila mole com estiletes em forma de cunha, por isso ela é chamada de cuneiforme.

Voce já deve ter percebido que o texto vai alem das moedas e economia, nos trazendo um panorama completo sobre as civilizações deste período. Continuemos nossa leitura...


Acádios - Cidades sumerianas ocupavam melhores terras, por isso chamava a atenção dos acádios, povo da cidade de Acad. Em aproximadamente 2500aC, os acádios dominaram cidades da Suméria. Os Acádios utilizavam arco e flechas, mostrando-se mais rápidos que a infantaria (tropas a pé) sumeriana, com seus escudos e lanças pesadas. Comandados por Sargão I, os acádios fundaram o primeiro Império Mesopotâmico, que se expandiu do golfo Pérsico até as regiões de Amorru e Assíria. Com a morte de Sargão I, crescia luta dos sumérios por sua liberdade.

Amorritas - Originários do deserto arábico, os amorritas chegam a Mesopotâmia por volta 2000aC, estabelecendo-se na Babilônia, por isso eram conhecidos como babilônicos. Seu mais importante rei foi Hamurábi (1728-1686 aC), que ampliou poderes econômicos e políticos na região, derrotando os vizinhos e dominando toda a Mesopotâmia, desde o golfo Pérsico até o norte da Assíria.

Para regulamentar a vida econômica e a propriedade da terra, Hamurábi criou um código de leis, o Código de Hamurábi, primeiro código escrito que se tem noticias. Para a punição havia a Lei de Talião, determinando que a pena fosse a mesma que o crime cometido, olho por olho, dente por dente. Alguns exemplos de punições desse código eram: se um filho batesse com as mãos no pai, teria suas mãos cortadas; se um médico tratasse feridas graves com faca de bronze e o paciente morresse, o médico teria suas mãos cortadas; se um homem furasse o olho de um homem livre, teria seus olhos furados; se fosse de um escravo, teria que pagar metade do valor desse.

Após a morte de Hamurábi, o Império Babilônico entrou em decadência e foi invadido por vários povos, como hititas e cassitas. Durante mais ou menos quatro séculos, os Cassitas dominaram a região, sendo por fim submetidos pelos assírios.

Assírios - Derivado de Assur, que significa lugar de passagem, era uma região do norte da Mesopotâmia, utilizada como passagem natural entre a Ásia e o Mediterrâneo. Por ser de fácil acesso e ter muitos atrativos sofreu muitos ataques. Esse perigo constante provavelmente desenvolveu o espírito guerreiro nos assírios. Eles organizaram um dos primeiros exércitos permanentes do mundo. Comandos por reis como Sargão II, Senequerib e Assurnipal, os assírios fizeram grandes conquistas e construíram um dos maiores Impérios da antiguidade. Do século VIII ao VI aC dominaram a região que incluía Mesopotâmia, Egito e Síria.

O exercito assírio foi dos mais poderosos de seu tempo, pois sua infantaria era equipada de lanças, espadas e escudos de ferro, além de contarem com uma cavalaria de carroças de combate com rodas reforçadas.

Os Assírios eram um dos povos mais cruéis, não se contentavam com a simples vitória, mas massacravam os vencidos, torturando-os, queimando e destruindo as cidades conquistadas. Os povos submetidos procuravam libertar-se desse terror, promovendo várias revoltas na tentativa de enfraquecer os assírios. Em aproximadamente 612aC, os caldeus e os medos aliaram-se e consequentemente destruíram o Império Assírio.

Caldeus - Com o fim do Império Assírio a Babilônia ficou independente, mas logo após foi dominada pelos caldeus. Esses neobabilônicos a reconstruíram, tornando-a uma das cidades mais ricas e poderosas da Antiguidade. Seu principal rei foi Nabucodonosor, responsável pela construção dos Jardins Suspensos da Babilônia e da Torre de Babel. Realizou diversas conquistas militares como a tomada de Jerusalém (586aC), submetendo os judeus como escravos. Apesar disso não durou muito o domínio caldeu. Em 539aC, os persas, liderados por Ciro, conquistaram e anexaram a Babilônia aos seus domínios.

A história mesopotâmica é bem mais extensa e complexa, nos oferecendo panoramas artísticos, culturais, costumes e mentalidades, mas neste compilado de informações podemos notar a estreita ligação do homem com o dinheiro em uma época que nem mesmo existiam moedas. O homem evoluiu e ampliou seus meios de pagamento e sua forma de comércio, mas a essência humana não evoluiu e continua a mesma desde a antiguidade.

Referencia Bibliográfica:
Sumérios - Porto Editora, 2003-2019
Mesopotâmia – Enciclopédia Barsa 2000

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