SÉRIE CRUZEIROS (5ª PARTE) - Os Cruzeiros de 70 e o sesquicentenário da independência.

 

Já percorremos um longo caminho até aqui. Espero que você esteja gostando desta saga que desbrava a história dos cruzeiros. Nesta edição iremos abordar os cruzeiros circulados entre 1970 e 1986. Mais precisamente em 15 de maio de 1970, onde padrão monetário brasileiro voltaria a se chamar Cruzeiro, sendo mantida a equivalência com o padrão antigo.

O retorno do Cruzeiro era visto como a consolidação da ideia de estabilidade monetária iniciada em meados dos anos 60. Ainda representaria a superação da economia que passou por momentos muito difíceis nesta mesma década.

Nesta família, emitida entre 1970 e 1980, foram lançados inicialmente os valores de 1, 5, 10, 50 e 100 cruzeiros, sendo que o valor de 500 cruzeiros foi inserido em 1972, por ocasião dos 150 anos da Independência do Brasil. Um momento único e que ainda iremos destacar em nosso artigo. Mas antes de abordar o tema comemorativo, é preciso voltar ao ano de 1966, ano em que foi realizado o concurso que escolheria os novos modelos das notas do padrão cruzeiro. Muitos não sabem, mas em 1966 a Casa da Moeda do Brasil passava por uma grande transformação. A CMB foi devidamente reequipada com maquinas de última geração e teria a partir daquele momento a missão de confeccionar o novo símbolo do meio circulante nacional.

O artista escolhido para a missão foi o pernambucano Aloísio Magalhães, que desde os anos 50, vinha desenvolvendo pesquisas no domínio da tipografia e artes gráficas. Este homem talentoso emprestaria seu dom e estudos para criar as belas cédulas do novo padrão cruzeiro.

A nova família receberia a nota de 1 CRUZEIRO, contendo em seu anverso, efígie simbólica da República, enquanto no reverso, estaria presente o edifício histórico situado na cidade do Rio de Janeiro (Av. Rio Branco, 30). Nele funcionava o Ministério da Fazenda, a Caixa de Conversão, a Caixa de Estabilização e a Caixa de Amortização. A nota circulou no período de 15 de maio de 1970 a 30 de junho de 1984.

CURIOSIDADE - Foram produzidas as estampas A e B. A estampa B circulou de 25 de outubro de 1972 a 30 de junho de 1984 e possuía uma coloração totalmente esverdeada, diferente da tonalidade marrom utilizada em algumas alegorias da estampa A.

Em seguida observamos a nota de 5 CRUZEIROS, contento em seu anverso, efígie de D. Pedro I (1798-1834), enquanto no reverso, quadro pintado por Leandro Joaquim, entre 1779 e 1790, apresentando vista monumental da entrada da cidade do Rio de Janeiro, atual Praça XV de Novembro, sendo observado em primeiro plano o chafariz executado por mestre Valentim. A nota circulou no período de 15 de maio de 1970 a 30 de junho de 1984.

CURIOSIDADE - Foram produzidas as estampas A e B. A estampa B circulou de 24 de janeiro de 1973 a 30 de junho de 1984 e possuía uma coloração totalmente azul mais opaca, diferente da tonalidade azul mais viva utilizada na estampa A.

Agora observamos a bela nota de 10 CRUZEIROS, contendo em seu anverso, efígie de D. Pedro II (1825-1891), enquanto em seu reverso, “O profeta Daniel” escultura do mestre Antônio Francisco Lisboa,  o Aleijadinho (1730-1814). A obra faz parte do conjunto “Doze Profetas”, estátuas em tamanho natural, esculpidas em pedra sabão, entre 1800 e 1805 em Congonhas-MG.

CURIOSIDADE - Foram produzidas as estampas A e B. A estampa B circulou de 12 de março de 1979 a 30 de junho de 1984. No anverso a estampa B apresenta acentuação da cor vinho na impressão do medalhão e impressão da tarja central; rosáceas e inscrições com predominância da cor vinho amarronzado. No reverso substituição da técnica de calcografia por ofsete seco, com esmaecimento da tonalidade das cores e impressão dos textos em cores irisadas, variando do verde para o marrom.

A nota de 50 CRUZEIROS apresenta em seu anverso, efígie do Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), enquanto em seu reverso, observamos painel de autoria de Cândido Portinari, representando a colheita do café. A nota circulou no período de 15 de maio de 1970 a 30 de junho de 1984.

Chegamos aos 100 CRUZEIROS, este, representado em seu anverso por efígie do Marechal Floriano Peixoto (1839-1895), trazendo em seu reverso, vista do Congresso Nacional, em Brasília-DF, obra projetada por Oscar Niemeyer. A nota circulou de 15 de maio de 1970 a 30 de junho de 1987.

CURIOSIDADE – Apresenta variações de gola alta e gola baixa na efígie representada na marca d’água. 

Voce se lembra do tema comemorativo citado no inicio do artigo? Sim, iremos abordá-lo agora. Trata-se das comemorações do sesquicentenário da independência do Brasil. Historicamente, comemoramos nossa independência no dia 7 de setembro. Em 1822 ocorreria o evento que ficaria conhecido como o “Grito do Ipiranga”, este, às margens do riacho Ipiranga na atual cidade de São Paulo. Em 12 de outubro de 1822, o príncipe brasileiro foi aclamado D. Pedro I, Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822, e o país passou a ser conhecido como o Império do Brasil.

150 anos se passaram desde o fato até 1972, mas os festejos teriam início em outubro de 1971, quando o presidente Emílio Garrastazu Médici instituiu uma comissão nacional para programar e coordenar as comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil que se realizariam em 1972. Era o início dos preparativos da maior festa cívica nacional realizada durante o regime militar. Em seguida, em janeiro de 1972, foi criada a Comissão Executiva Central para dirigir e coordenar as comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil (CEC) Presidida pelo General Antônio Jorge Corrêa, a CEC integrava membros de ministérios civis e militares, além de importantes instituições da sociedade civil. Assim, desde janeiro de 1972 vivia-se no país sob a expectativa do início das comemorações, mas foi em 21 de abril, aniversário de Brasília e dia de Tiradentes, que as festas começaram oficialmente, para somente serem encerradas no dia 7 de setembro daquele ano. A ideia era iniciar as comemorações com os chamados “Encontros Cívicos Nacionais”, evento que deveria acontecer em todas as cidades do país e que consistia em um acontecimento único e inédito no mundo até aquele momento.

O encerramento, no dia 7 de setembro, foi realizado na colina do Ipiranga, em São Paulo, local onde foi proclamada a independência em 1822 e onde ocorreria o sepultamento oficial dos restos mortais de D. Pedro I, ao lado da Imperatriz Leopoldina, após uma peregrinação por todo o país, desde abril daquele ano. Os Encontros Cívicos em abril e a peregrinação dos restos mortais de D. Pedro I, seguida de seu sepultamento no Ipiranga em setembro foram os dois acontecimentos maiores de uma festa que teve como característica mais marcante a multiplicação, país afora, de eventos comemorativos os mais diversos ao longo de todo o ano de 1972.

A história nos reserva inúmeros acontecimentos durante o período das comemorações, mas um acontecimento marcou a notafilia nacional. A Casa da Moeda e o Banco Central do Brasil resolveram homenagear o importante acontecimento em uma belíssima cédula do dinheiro brasileiro. A nota que comemorou o fato trazia o valor nominal de 500 CRUZEIROS e o tema sesquicentenário da independência do Brasil 7 de setembro de 1822 a 7 de setembro de 1972, pode ser observado no anverso da nota, quanto no reverso, observamos a sequencia de cartas geográficas históricas, representando a evolução do espaço físico territorial brasileiro, nas suas diferentes fases – descobrimento, comércio, colonização independência e integração. A nota circulou no período de 15 de novembro de 1972 a 30 de junho de 1987.

CURIOSIDADE – A nota é popularmente conhecida entre os colecionadores como etnias ou raças. Foram produzidas as estampas A e B. A estampa B circulou de 2 de julho de 1979 a 30 de junho de 1987. Na estampa B notamos a retirada da impressão luminescente da extremidade esquerda do anverso existente na nota de estampa A e foram incluídos, sobre a faixa vertical branca, linhas verticais paralelas verdes e motivo geométrico, definido registros coincidentes entre anverso e reverso.



Muitos acham que a série de notas dos cruzeiros de 1970 termina com a impressão da nota de 500 cruzeiros. Quero afirmar que estão enganados, pois uma última e esquecida nota, apelidada carinhosamente de “cabeção” (1000 cruzeiros), é a última nota desta série.

Embora seja diferente das outras notas da série, esta foi a de maior valor nominal. Uma nota que trazia consigo as alegorias que seriam vistas na segunda família de notas deste mesmo padrão cruzeiro, e que ficaria conhecida como série de notas inspiradas em cartas de baralho.

A cédula em questão possui em seu anverso, efígie de José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845-1912), mais conhecido como “Barão do Rio Branco”. No reverso, composição alusiva à “questão das missões”, tendo como elemento principal um detalhe do taqueômetro utilizado, superposta à planta topográfica da fronteira definitiva entre Brasil e Argentina, feita por Dionísio Cerqueira à época da demarcação. A nota circulou de 6 de dezembro de 1978 a 15 de janeiro de 1989.

Ficamos por aqui, mas no próximo artigo continuaremos nossa incrível saga. Iremos conhecer a segunda série de notas dos Cruzeiros, conhecida como cartas de baralho. Não perca!

VEJA TAMBÉM:

1ª PARTE - SÉRIE CRUZEIROS

2ª PARTE - SÉRIE CRUZEIROS

3ª PARTE - SÉRIE CRUZEIROS

4ª PARTE - SÉRIE CRUZEIROS


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2 Comentários

  1. Como as cédulas do passado eram lindas e hoje temos essas coisas horríveis que São as cédulas de reais

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    1. Infelizmente as coisas mudam e nem sempre a qualidade e a beleza artística são levadas em consideração.

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